IGFB — Instituto de Governança Fundiária do Brasil
Publicação oficial
Ano III – Edição nº 01/2025
Boletim anual

Boletim IGFBAno 2025

Consolidação do IGFB como entidade de classe plenamente adequada ao Sistema Confea/Crea: Congresso de Governança Fundiária 2025, protagonismo na 3ª Conferência Nacional e mais de 180 profissionais capacitados.

São Paulo, 18 de dezembro de 2025

+24,5%participação do agro no PIB brasileiro
6,2 miimóveis rurais cadastrados no SIGEF
+180profissionais capacitados no ano
600 milfamílias tituladas pela REURB
Levantamento de campo com receptor GNSS em propriedade rural.
Levantamento de campo com receptor GNSS em propriedade rural.Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.
Editorial

Palavra do Diretor Presidente

Eng. Sales Carvalho, Diretor Presidente do IGFB
Eng. Sales CarvalhoDiretor Presidente do IGFB

O ano de 2025 representou a consolidação do IGFB como entidade de classe plenamente adequada às normas do Sistema Confea/Crea, ao mesmo tempo em que expandimos nossa atuação em frentes estratégicas para a governança fundiária brasileira.

Com a publicação da Resolução CONFEA nº 1.163/2025, em 12 de dezembro, que alterou dispositivos da Resolução nº 1.144/2024, iniciamos imediatamente o planejamento para as adequações estatutárias necessárias, que serão concretizadas em 2026. Essas alterações — que flexibilizam a homologação da relação de associados e permitem eleições virtuais para representantes no CREA — representam um avanço na modernização e na desburocratização dos processos das entidades de classe, e o IGFB está comprometido em implementá-las com a maior celeridade e transparência.

Em 2025, também fomos protagonistas em importantes debates nacionais. A 3ª Conferência Nacional de Reforma Agrária e Governança Fundiária, realizada em dezembro, reuniu representantes de todo o país e reafirmou a urgência de políticas estruturantes para a regularização fundiária, a reforma agrária e o combate à grilagem. O seminário promovido pelo Ministério da Gestão e da Inovação (MGI), em parceria com o STF e o CNJ, destacou a necessidade de integrar esforços para avançar na governança fundiária, desde núcleos urbanos de baixa renda até áreas estratégicas para infraestrutura.

No campo da capacitação profissional, mantivemos nosso ritmo de cursos e treinamentos, com destaque para a formação de profissionais para atuação em programas governamentais de governança fundiária. O Congresso de Governança Fundiária 2025, que promovemos, reuniu especialistas de todo o país e gerou subsídios valiosos para a formulação de políticas públicas.

Este boletim registra um ano de intensa atividade, com a realização de cursos, eventos e publicações que reafirmam nosso compromisso com a governança fundiária, a qualificação profissional e a construção de um Brasil mais justo e sustentável. Seguimos firmes em nossa missão, cientes dos desafios que ainda nos aguardam e preparados para enfrentá-los com a excelência técnica e o compromisso ético que sempre nos guiaram.

Eng. Sales CarvalhoDiretor Presidente do IGFB
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Contexto da governança fundiária em 2025

O ano de 2025 foi palco de importantes debates e avanços na governança fundiária brasileira, refletindo a crescente percepção de que a gestão territorial é um pilar para o desenvolvimento sustentável, a justiça social e a segurança jurídica.

1.1. A 3ª Conferência Nacional de Reforma Agrária e Governança Fundiária

Realizada em dezembro de 2025, a 3ª Conferência Nacional de Reforma Agrária e Governança Fundiária reuniu representantes de movimentos sociais, órgãos públicos, entidades de classe e academia para debater o futuro da governança territorial no Brasil. O evento foi marcado por propostas concretas para:

  • Acelerar a regularização fundiária de terras públicas e particulares;
  • Fortalecer o Programa Terra Legal e ampliar sua atuação na Amazônia Legal;
  • Combater a grilagem com o uso de tecnologias de monitoramento e inteligência territorial;
  • Promover a reforma agrária como instrumento de desenvolvimento e redução das desigualdades.

A conferência também destacou a importância da integração entre os sistemas de cadastro e registro, da qualificação profissional e da participação social nos processos de gestão territorial.

1.2. Seminário MGI/STF/CNJ sobre governança fundiária

O Ministério da Gestão e da Inovação (MGI), em parceria com o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), promoveu seminário para discutir caminhos para avançar na governança fundiária do país. O evento abordou desde a regularização de núcleos urbanos de baixa renda até áreas estratégicas para infraestrutura, como rodovias, ferrovias e projetos de energia.

O seminário reforçou a necessidade de articulação entre os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, e destacou o papel dos cartórios de registro de imóveis e dos profissionais habilitados na concretização das políticas fundiárias.

1.3. A Política Nacional de Governança da Terra

Em 2025, foi criada a Política Nacional de Governança da Terra, que integra e fortalece as ações de governança fundiária em todo o país. A política estabelece diretrizes para:

  • A regularização fundiária de áreas urbanas e rurais;
  • O combate à grilagem e à informalidade;
  • A integração de cadastros e sistemas de informação territorial;
  • A promoção da reforma agrária e da agricultura familiar;
  • O respeito aos direitos dos povos indígenas e comunidades tradicionais.

A Política Nacional de Governança da Terra representa um marco na abordagem sistêmica da questão fundiária, superando a fragmentação histórica das políticas setoriais.

1.4. O cenário econômico e fundiário

Em 2025, o setor agropecuário manteve sua participação expressiva no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, superando 24,5%, impulsionado pela safra recorde de grãos e pela expansão da fronteira agrícola. Esse crescimento, contudo, intensificou a pressão sobre áreas de preservação ambiental e sobre terras públicas, especialmente na Amazônia Legal, onde o desmatamento e a grilagem continuam sendo desafios urgentes.

No meio urbano, a regularização fundiária avançou, mas ainda há milhões de famílias vivendo em assentamentos informais sem titulação adequada, o que compromete seu acesso a serviços públicos, crédito e cidadania plena.

1.5. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável

O Brasil reafirmou seu compromisso com a Agenda 2030 da ONU, e a governança fundiária foi reconhecida como instrumento transversal para o alcance de diversos ODS, especialmente:

  • ODS 1 (Erradicação da Pobreza);
  • ODS 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável);
  • ODS 10 (Redução das Desigualdades);
  • ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis);
  • ODS 15 (Vida Terrestre);
  • ODS 16 (Paz, Justiça e Instituições Eficazes).
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Marcos legais e normativos de 2025

12 de dezembro de 2025

Resolução CONFEA nº 1.163

Flexibiliza a homologação da relação de associados e autoriza expressamente eleições virtuais para o plenário do CREA.

Novembro de 2025

Prazo do georreferenciamento

Encerra-se o prazo de certificação para imóveis rurais de até 100 hectares, etapa central da Lei nº 10.267/2001.

Provimento CNJ nº 195/2025

SIG-RI e IERI-e

Permitem consultas públicas e a identificação de sobreposições de poligonais de matrículas, com relevância para a Amazônia Legal.

2025

Política Nacional de Governança da Terra

Integra as ações de governança fundiária em todo o país e supera a fragmentação histórica das políticas setoriais.

2.1. Resolução CONFEA nº 1.163/2025

Em 12 de dezembro de 2025, o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA) publicou a Resolução nº 1.163, que alterou dispositivos da Resolução nº 1.144/2024, trazendo importantes inovações para as entidades de classe.

Principais alterações:

  • Homologação da relação de associados: a relação de associados pode ser homologada pela diretoria (com maioria absoluta) ou pela assembleia geral, e não mais exclusivamente por esta última, conferindo mais agilidade aos processos internos.
  • Eleições virtuais: a resolução passou a permitir expressamente que a eleição de representantes para o plenário do CREA ocorra de forma virtual, modernizando os processos eleitorais e ampliando a participação dos associados.
  • Adequação de prazos: foram ajustados os prazos para a revisão anual do registro das entidades, harmonizando-os com o calendário do Sistema Confea/Crea.

2.2. Georreferenciamento de imóveis rurais

O ano de 2025 foi decisivo para o georreferenciamento de imóveis rurais, com o encerramento, em novembro de 2025, do prazo para certificação de imóveis de até 100 hectares. Esse marco representou a conclusão de uma etapa fundamental na implementação da Lei nº 10.267/2001, que exige a descrição georreferenciada de todos os imóveis rurais.

Dados do INCRA indicam que, até dezembro de 2025:

  • Mais de 6,2 milhões de imóveis rurais estavam cadastrados no SIGEF;
  • Aproximadamente 75% dos imóveis já haviam sido certificados;
  • Os prazos para imóveis de 100 a 500 hectares e acima de 500 hectares estão sendo progressivamente cumpridos, com vencimentos previstos para os próximos anos.

A certificação georreferenciada é essencial para:

  • A segurança jurídica da propriedade;
  • O combate à grilagem e à sobreposição de cadastros;
  • O controle ambiental e a integração com o CAR;
  • A tributação justa e a gestão territorial integrada.

2.3. O Cadastro Técnico Multifinalitário em 2025

O Cadastro Técnico Multifinalitário (CTM) consolidou-se, em 2025, como ferramenta indispensável para a gestão municipal. Municípios de todo o país adotaram sistemas de informações territoriais baseados na parcela para a tomada de decisões em áreas como:

  • Planejamento urbano e gestão do uso do solo;
  • Arrecadação tributária (IPTU, ITBI);
  • Regularização fundiária urbana (REURB);
  • Gestão ambiental e de recursos hídricos;
  • Mobilidade urbana e infraestrutura.

A integração do CTM com o SIGEF, o CAR, o SNCR e o SERP (Sistema Eletrônico dos Registros Públicos) avançou significativamente, graças à interoperabilidade proporcionada pelas novas normas técnicas e pelos sistemas eletrônicos.

2.4. Provimentos do CNJ e o Programa Solo Seguro

O Programa Solo Seguro, instituído pelo Provimento CNJ nº 144/2023, continuou a ser o principal instrumento do Poder Judiciário para a regularização fundiária na Amazônia Legal e em todo o país. Em 2025, o programa realizou a 4ª Semana Nacional de Regularização Fundiária, com a expectativa de realizar aproximadamente 13 mil atendimentos, entre concessões de títulos, capacitações de equipes e atendimentos a famílias em mutirões.

O Provimento CNJ nº 195/2025, que criou o Inventário Estatístico Eletrônico do Registro de Imóveis (IERI-e) e o Sistema de Informações Geográficas do Registro de Imóveis (SIG-RI), também teve impacto direto na governança fundiária, permitindo consultas públicas e a identificação de sobreposições de poligonais de matrículas, com especial relevância para a Amazônia Legal.

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Atividades realizadas pelo IGFB em 2025

Em conformidade com seu Estatuto Social (art. 2º), o IGFB desenvolveu ao longo de 2025 uma série de atividades voltadas à capacitação profissional, à produção de conhecimento, à articulação institucional e à adequação normativa.

3.1. Cursos e treinamentos

Foram realizados cursos de aperfeiçoamento em georreferenciamento e gestão territorial, com destaque para:

  • Curso Avançado de Georreferenciamento de Imóveis Rurais (40h): abordou os procedimentos técnicos para levantamento, elaboração de memoriais descritivos e submissão ao SIGEF/INCRA, com ênfase nos prazos finais para imóveis de até 100 hectares.
  • Curso de Cadastro Técnico Multifinalitário Aplicado (32h): voltado a gestores municipais e profissionais técnicos, com foco na implementação do CTM em municípios de pequeno e médio porte.
  • Oficina de Regularização Fundiária Urbana (REURB) (24h): capacitação para servidores públicos e profissionais que atuam na regularização de assentamentos informais.
  • Formação em Interpretação de Imagens Orbitais para Monitoramento Territorial (16h): em parceria com a Visiona Tecnologia Espacial, utilizando dados do nanossatélite VCUB-1.

3.2. Congresso de Governança Fundiária 2025

O IGFB promoveu, em outubro de 2025, o Congresso de Governança Fundiária 2025, realizado no auditório do IGFB e com transmissão online para todo o país. O evento reuniu especialistas, representantes de órgãos públicos, movimentos sociais e profissionais da área para debater soluções para os problemas relativos ao desenvolvimento e à qualificação profissional na governança fundiária.

Quadro 1Painéis do Congresso de Governança Fundiária 2025
PainelTema e palestrantes
1Panorama da Regularização Fundiária no BrasilINCRA, CNJ e MDA
2Cadastro Técnico Multifinalitário e Gestão MunicipalMinistério das Cidades e ABNT
3Georreferenciamento e TecnologiaVisiona, UFSC e CREA-SP
4Reforma Agrária e Combate à GrilagemMST, CONTAG e Imazon
5Terras Indígenas e Comunidades TradicionaisFUNAI, APIB e MPF

Realizado em outubro de 2025 no auditório do IGFB, com transmissão online para todo o país.

O congresso gerou importantes subsídios para a formulação de políticas públicas e para o fortalecimento da atuação profissional na área.

3.3. Publicações técnicas

O IGFB manteve sua política editorial ativa, lançando novas publicações que contribuem para a difusão do conhecimento técnico-científico:

01Boletim IGFB – Ano 2025 (esta edição);
02Nota Técnica IGFB nº 07/2025 – Georreferenciamento de Imóveis Rurais: prazos, procedimentos e desafios após a certificação de 100 hectares;
03Nota Técnica IGFB nº 08/2025 – A Política Nacional de Governança da Terra: diretrizes e impactos para a gestão territorial;
04Nota Técnica IGFB nº 09/2025 – A Resolução CONFEA nº 1.163/2025 e seus impactos para as entidades de classe;
05Nota Técnica IGFB nº 10/2025 – O SIG-RI e a integração dos registros de imóveis com os cadastros municipais;
06Cartilha de Boas Práticas para a Regularização Fundiária em Áreas Urbanas – guia prático para municípios e profissionais.

Os recursos líquidos obtidos com as publicações foram destinados ao fundo específico, gerido pelo Diretor Presidente e pelo Diretor Financeiro, com o fim exclusivo de financiar novas edições, conforme determina o § 3º do art. 3º do Estatuto.

3.4. Participação em eventos externos

O IGFB marcou presença em importantes eventos nacionais e internacionais:

  • COBRAC 2025 (Congresso Brasileiro de Cadastro Técnico Multifinalitário e Gestão Territorial), realizado em Curitiba/PR, com apresentação de trabalhos e participação em painéis sobre CTM e georreferenciamento;
  • 3ª Conferência Nacional de Reforma Agrária e Governança Fundiária, em Brasília/DF, onde o IGFB integrou a comissão organizadora e contribuiu com propostas técnicas;
  • Seminário MGI/STF/CNJ sobre Governança Fundiária, onde o Diretor Presidente do IGFB participou como debatedor.

3.5. Adequação estatutária às Resoluções CONFEA

Em 2025, o IGFB deu início ao planejamento para as adequações estatutárias necessárias para atender às Resoluções CONFEA nº 1.144/2024 e nº 1.163/2025. Em 2026, serão convocadas Assembleias Gerais Extraordinárias para aprovar as alterações no Estatuto Social, ajustando:

  • O quadro de associados efetivos, com a comprovação do número mínimo exigido;
  • A previsão de eleição de representantes para o plenário do CREA, incluindo a modalidade virtual;
  • A forma de homologação da relação de associados, que poderá ser feita pela diretoria (com maioria absoluta) ou pela assembleia geral;
  • A revisão anual do registro, com a apresentação de documentos atualizados.

3.6. Eleição de representantes para o CREA-SP

Foi concluído, em 2025, o processo eleitoral para a escolha dos representantes do IGFB no plenário do CREA-SP, com mandato de 3 (três) anos. A eleição foi realizada em Assembleia Geral, por escrutínio secreto, em conformidade com o Capítulo V do Estatuto e com a Resolução CONFEA nº 1.163/2025, que permite a realização de eleições virtuais. Os eleitos tomarão posse em janeiro de 2026.

A gestão territorial é um pilar para o desenvolvimento sustentável, a justiça social e a segurança jurídica.

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3.7. Gestão e finanças

O Conselho Fiscal emitiu parecer favorável sobre os relatórios de atividades e as contas da Diretoria, e a Assembleia Geral aprovou, em sua reunião ordinária, a prestação de contas do exercício de 2025.

A reserva financeira, constituída com alíquota entre 5% e 15% das receitas (fixada em 10% pelo Conselho de Administração), foi aplicada conforme deliberação da Diretoria, em estrita observância ao disposto no art. 3º do Estatuto, que exige a aplicação integral dos recursos no território nacional.

O exercício social de 2025 foi encerrado em 31 de dezembro, com a apresentação do balanço financeiro e do relatório de atividades ao Conselho Fiscal e à Assembleia Geral, nos termos do art. 17 do Estatuto.

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Destaque dos associados e profissionais

O IGFB reconhece e valoriza o trabalho de seus associados e dos profissionais que, diariamente, contribuem para a governança fundiária no Brasil. Em 2025, destacamos as seguintes trajetórias:

Eng. Agrimensor Rafael dos SantosMT

Responsável pelo georreferenciamento de mais de 1.500 imóveis rurais na região do Araguaia, com destaque para a regularização de áreas de preservação permanente e a integração com o CAR.

Eng.ª Cartógrafa Beatriz AlencarPA

Atuou na regularização fundiária de 12 comunidades quilombolas no Baixo Tocantins, utilizando técnicas de georreferenciamento e participação social para a elaboração de memoriais descritivos coletivos.

Geógrafo Gustavo LimaPR

Desenvolveu uma plataforma de integração de dados cadastrais municipais com o SIGEF, facilitando a interoperabilidade entre os sistemas federal e municipal, premiada no COBRAC 2025.

Eng. Agrônomo José Carlos PereiraRO

Contribuiu para a elaboração de laudos técnicos em processos de regularização fundiária na Amazônia Legal, auxiliando na solução de conflitos fundiários e na destinação de áreas para conservação ambiental.

Esses profissionais são exemplos do compromisso e da excelência técnica que o IGFB busca incentivar e disseminar em todo o país.

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Panorama da regularização fundiária no Brasil em 2025

Quadro 2Indicadores da regularização fundiária em 2025
Imóveis rurais cadastrados no SIGEF já certificados75%
Imóveis urbanos estimados sem regularização30%
Participação do setor agropecuário no PIB brasileiro24,5%

Fontes: SIGEF/INCRA e CNJ (dezembro de 2025).

5.1. Georreferenciamento e SIGEF

O ano de 2025 foi marcado pelo encerramento do prazo para certificação de imóveis rurais de até 100 hectares. Esse marco representou a regularização de milhões de pequenas propriedades, muitas delas pertencentes à agricultura familiar. A certificação georreferenciada trouxe benefícios como:

  • Maior segurança jurídica para os proprietários;
  • Redução de conflitos fundiários;
  • Melhor controle ambiental e integração com o CAR;
  • Possibilidade de acesso a crédito e políticas públicas.

5.2. A regularização na Amazônia Legal

A Amazônia Legal continuou sendo a região com os maiores desafios fundiários. Em 2025, o Programa Terra Legal regularizou aproximadamente 1,5 milhão de hectares de terras públicas federais, beneficiando milhares de famílias de posseiros. Contudo, a grilagem e o desmatamento ilegal persistiram, exigindo ações coordenadas de fiscalização e inteligência territorial.

O uso de imagens de satélite e sistemas de monitoramento em tempo real, como o DETER e o PRODES, foi intensificado em 2025, com a integração de dados do VCUB-1. O IGFB participou ativamente desse esforço, capacitando profissionais para a interpretação de imagens orbitais e para a identificação de sobreposições fundiárias.

Frente de expansão agrícola no limite da floresta amazônica.
Frente de expansão agrícola no limite da floresta amazônica.Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial.

5.3. A REURB e a regularização urbana

A regularização fundiária urbana avançou em 2025, com a realização de mutirões e a emissão de títulos em todos os estados. Dados do CNJ indicam que mais de 600 mil famílias foram beneficiadas com a titulação de suas propriedades em todo o país. Os maiores avanços ocorreram em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Bahia e Pará.

Contudo, a demanda ainda é enorme: estima-se que cerca de 30% dos imóveis urbanos ainda não estejam regularizados, especialmente em periferias e áreas de ocupação informal.

5.4. Desafios persistentes

Apesar dos avanços, persistem desafios estruturais:

  • Informalidade: milhões de imóveis rurais e urbanos ainda carecem de regularização;
  • Sobreposição de cadastros: conflitos entre sistemas federal, estadual e municipal geram insegurança jurídica;
  • Grilagem: especialmente na Amazônia, a apropriação indevida de terras públicas continua sendo um problema grave;
  • Capacitação técnica: a demanda por profissionais qualificados supera a oferta, especialmente nas regiões Norte e Nordeste;
  • Integração de sistemas: a interoperabilidade entre CTM, SIGEF, CAR, SNCR e SERP ainda é limitada em muitos municípios.
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Perspectivas para 2026

O IGFB encerra 2025 com a certeza de dever cumprido e projeta para 2026 a continuidade de suas ações, o fortalecimento de sua representação institucional e a ampliação de sua contribuição para a governança fundiária no Brasil.

6.1. Adequação estatutária às Resoluções CONFEA

A principal meta para 2026 é a conclusão das adequações estatutárias exigidas pelas Resoluções CONFEA nº 1.144/2024 e nº 1.163/2025. Serão convocadas Assembleias Gerais Extraordinárias para:

  • Aprovar as alterações no Estatuto Social relativas à homologação da relação de associados, às eleições virtuais e à revisão anual do registro;
  • Atualizar o quadro de associados efetivos, com a comprovação do número mínimo exigido;
  • Registrar as alterações em cartório e integrá-las ao Estatuto vigente.

6.2. Eleições dos órgãos diretivos

Conforme previsto no Capítulo V do Estatuto (art. 26), o IGFB realizará, em 2026, as eleições quadrienais para a renovação dos membros do Conselho de Administração, da Diretoria e do Conselho Fiscal. O processo eleitoral será conduzido com transparência e participação de todos os associados, em conformidade com as regras do Estatuto e com a Resolução CONFEA nº 1.163/2025.

6.3. Plano de cursos e capacitações

Estão previstos, para 2026:

  • Curso Avançado de Georreferenciamento de Imóveis Rurais e Urbanos (40h);
  • Curso de Cadastro Técnico Multifinalitário com ênfase em interoperabilidade e SIG-RI (32h);
  • Oficina de Regularização Fundiária Urbana (REURB) para municípios de pequeno porte (24h);
  • Formação em Interpretação de Imagens Orbitais e Inteligência Artificial para Monitoramento Territorial (16h);
  • Seminário Internacional de Governança Fundiária, com a participação de especialistas da América Latina e Europa.

6.4. Novas publicações

O IGFB lançará, em 2026:

  • Boletim IGFB – Ano 2026;
  • Nota Técnica sobre a integração do CTM com o SIG-RI e o SERP;
  • Manual de Boas Práticas para a Regularização Fundiária na Amazônia Legal;
  • Coletânea de artigos sobre governança fundiária e desenvolvimento sustentável.

6.5. Projetos de pesquisa e parcerias

Em parceria com a Visiona Tecnologia Espacial, o IGFB dará continuidade aos projetos-piloto de monitoramento territorial na Amazônia Legal e no Cerrado, utilizando imagens orbitais e inteligência artificial para identificar áreas críticas e apoiar a tomada de decisão.

Novas parcerias com universidades e institutos de pesquisa serão firmadas para o desenvolvimento de tecnologias aplicadas ao CTM, ao georreferenciamento e à regularização fundiária.

6.6. Fortalecimento da representação institucional

O IGFB buscará ampliar sua representação junto ao Sistema Confea/Crea, ao INCRA, ao CNJ, ao Ministério das Cidades e a outros órgãos públicos, consolidando sua posição como entidade de referência na governança fundiária.

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Considerações finais

O ano de 2025 foi de consolidação, inovação e compromisso para o IGFB. Cumprimos com êxito nosso papel de promover a governança fundiária no Brasil, por meio da capacitação profissional, da produção de conhecimento, da articulação institucional e da adequação normativa.

A publicação da Resolução CONFEA nº 1.163/2025 nos desafiou a revisitar nossos processos e a garantir que nossa atuação esteja alinhada aos mais elevados padrões normativos. A 3ª Conferência Nacional de Reforma Agrária e Governança Fundiária e o Seminário MGI/STF/CNJ nos inseriram no centro dos debates nacionais sobre o futuro da gestão territorial. E a realização de cursos, eventos e publicações manteve nossa missão de qualificar profissionais e disseminar conhecimento.

Os desafios, no entanto, persistem. A grilagem, a informalidade, a sobreposição de cadastros, a integração de sistemas e a necessidade de capacitação técnica continuam sendo obstáculos que exigem ação coordenada de todos os atores envolvidos na governança fundiária. O IGFB está preparado para enfrentar esses desafios, contando com o apoio de seus associados, parceiros e da sociedade em geral.

Em 2026, seguiremos firmes em nossa missão de construir pontes para uma governança fundiária mais justa e sustentável, em consonância com os princípios do Sistema Confea/Crea e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU.

Convidamos nossos associados, parceiros e a sociedade em geral a se juntarem a nós nessa caminhada.

Eng. Sales CarvalhoDiretor Presidente do IGFB
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Entidade de classe registrada no Sistema Confea/Crea
IGFB CREA-SP — Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo CONFEA — Conselho Federal de Engenharia e Agronomia Mútua — Caixa de Assistência dos Profissionais do Crea