IGFB — Instituto de Governança Fundiária do Brasil
Publicação oficial
Ano II – Edição nº 01/2024
Boletim anual

Boletim IGFBAno 2024

Um ano de consolidação institucional e inovação: adequação à Resolução CONFEA nº 1.144/2024, Acordo de Cooperação Técnica com a Visiona Tecnologia Espacial e ampliação da agenda de capacitação em CTM e georreferenciamento.

São Paulo, 20 de dezembro de 2024

+24%participação do agro no PIB brasileiro
5,8 miimóveis rurais cadastrados no SIGEF
~72%dos imóveis do SIGEF já certificados
1,2 mi haregularizados pelo Terra Legal na Amazônia
Editorial

Palavra do Diretor Presidente

Eng. Sales Carvalho, Diretor Presidente do IGFB
Eng. Sales CarvalhoDiretor Presidente do IGFB

O ano de 2024 foi, sem dúvida, um marco para o Instituto de Governança Fundiária do Brasil (IGFB). Não apenas pelo volume de atividades realizadas, mas pela consolidação de nossa posição institucional e pela capacidade de adaptação a um cenário normativo em constante transformação.

A publicação da Resolução CONFEA nº 1.144/2024, em 13 de dezembro, trouxe novos procedimentos para o registro e a revisão de registro das entidades de classe, exigindo de nós uma pronta adequação estatutária para mantermos nossa representação junto ao Sistema Confea/Crea. Esse movimento demonstra a importância de estarmos sempre atentos às mudanças e de agirmos com agilidade e transparência para garantir a continuidade de nossa atuação em benefício dos profissionais da governança territorial.

Além disso, 2024 foi um ano de inovação e parcerias estratégicas. A assinatura do Acordo de Cooperação Técnica com a Visiona Tecnologia Espacial S.A. representa um salto qualitativo em nossa capacidade de utilizar tecnologias de ponta — como imagens orbitais e inteligência artificial — para aprimorar a gestão territorial e a regularização fundiária. Essa parceria está em plena consonância com nosso Estatuto, que nos incumbe de promover estudos, pesquisas e desenvolvimento de tecnologias alternativas na área de governança fundiária.

No plano da capacitação profissional, mantivemos nosso compromisso com a qualificação de engenheiros agrimensores, cartógrafos, geógrafos e demais profissionais abrangidos pelo Sistema Confea/Crea, por meio de cursos, seminários e publicações técnicas. O Cadastro Técnico Multifinalitário (CTM) e o georreferenciamento de imóveis rurais continuaram sendo temas centrais de nossa atuação, sempre com o objetivo de contribuir para políticas públicas mais eficientes, para a segurança jurídica e para o desenvolvimento sustentável.

Este boletim registra não apenas as atividades desenvolvidas em 2024, mas também o esforço institucional para nos alinharmos às melhores práticas de governança e aos mais elevados padrões normativos. Seguimos firmes em nossa missão de promover uma gestão territorial que garanta direitos, gere oportunidades e preserve o meio ambiente.

Eng. Sales CarvalhoDiretor Presidente do IGFB
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Contexto da governança fundiária em 2024

O ano de 2024 foi marcado por importantes movimentos institucionais e normativos no campo da governança fundiária, refletindo a crescente relevância do tema para o desenvolvimento econômico, social e ambiental do Brasil.

1.1. A criação do Comitê Permanente de Reforma Agrária e Governança Fundiária

Em 6 de setembro de 2024, o governo federal, por meio da Resolução CONDRAF nº 24, criou o Comitê Permanente de Reforma Agrária e Governança Fundiária. O comitê tem como objetivo integrar e fortalecer as ações de governança fundiária em todo o país, coordenando esforços entre diferentes ministérios, autarquias e entidades da sociedade civil. Essa iniciativa representa um reconhecimento da complexidade da questão fundiária brasileira e da necessidade de uma abordagem sistêmica e articulada.

O comitê atua em frentes como:

  • Regularização fundiária de terras públicas e particulares;
  • Combate à grilagem e à informalidade;
  • Promoção da reforma agrária e da agricultura familiar;
  • Integração de cadastros e sistemas de informação territorial;
  • Monitoramento e fiscalização do uso do solo.

1.2. A atuação da Secretaria de Governança Fundiária

A Secretaria de Governança Fundiária, Desenvolvimento Territorial e Socioambiental (SGF), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), intensificou suas ações em 2024, com destaque para a ampliação do Programa Terra Legal na Amazônia Legal e a implementação de novas ferramentas de georreferenciamento e cadastro.

1.3. O cenário econômico e fundiário

O setor agropecuário manteve sua participação expressiva no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, superando 24% em 2024, impulsionado pela safra recorde de grãos e pela expansão da fronteira agrícola. Esse crescimento, porém, trouxe à tona desafios fundiários, como a pressão sobre áreas de preservação ambiental, a sobreposição de terras públicas e privadas e a necessidade de regularização de milhões de hectares de terras ocupadas.

Paralelamente, a urbanização continuou avançando, com 85% da população brasileira vivendo em áreas urbanas. A regularização fundiária urbana (REURB) tornou-se cada vez mais urgente, especialmente em assentamentos informais e periferias, onde a falta de titulação compromete o acesso a serviços públicos, a mobilidade e a dignidade da população.

1.4. A Agenda 2030 e os ODS

O Brasil reafirmou seu compromisso com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU, especialmente os ODS 1 (Erradicação da Pobreza), 2 (Fome Zero e Agricultura Sustentável), 10 (Redução das Desigualdades), 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis) e 15 (Vida Terrestre). A governança fundiária é transversal a todos esses objetivos, sendo reconhecida como instrumento essencial para a justiça social, a proteção ambiental e o desenvolvimento econômico inclusivo.

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Marcos legais e normativos de 2024

13 de dezembro de 2024

Resolução CONFEA nº 1.144

Estabelece novos procedimentos para o registro e a revisão de registro das entidades de classe do Sistema Confea/Crea.

6 de setembro de 2024

Resolução CONDRAF nº 24

Cria o Comitê Permanente de Reforma Agrária e Governança Fundiária, coordenando ministérios, autarquias e sociedade civil.

23 de maio de 2024

Acordo com a Visiona

Cooperação técnica para o uso de imagens do nanossatélite VCUB-1 e de inteligência artificial na gestão territorial.

Lei nº 14.382/2022

SERP

A regulamentação de novos dispositivos amplia a integração entre os cartórios de registro de imóveis e os cadastros municipais.

2.1. Resolução CONFEA nº 1.144/2024

A Resolução CONFEA nº 1.144, publicada em 13 de dezembro de 2024, estabeleceu novos procedimentos para o registro e a revisão de registro das entidades de classe de profissionais abrangidos pelo Sistema Confea/Crea. A norma representa uma modernização e um aperfeiçoamento do controle sobre as entidades, com o objetivo de garantir sua representatividade, transparência e efetiva atuação.

As principais inovações da Resolução incluem:

  • Exigência de relação mínima de associados: as entidades devem comprovar a existência de, no mínimo, 30 associados efetivos (ou 60, quando congregarem profissionais da Engenharia e da Agronomia), todos devidamente registrados no CREA de sua jurisdição.
  • Comprovação de efetivo funcionamento: as entidades devem realizar pelo menos três atividades por ano (cursos, seminários, publicações, etc.) para manter seu registro.
  • Homologação da relação de associados: a lista de associados deve ser homologada pela assembleia geral da entidade e apresentada anualmente ao CREA.
  • Vedação ao registro de entidades mistas: fica vedado o registro de entidades que congreguem profissionais não abrangidos pelo Sistema Confea/Crea, garantindo a unicidade da representação profissional.
  • Revisão anual do registro: as entidades devem passar por um processo de revisão de registro a cada ano, apresentando documentos atualizados e comprovando o cumprimento das exigências.

2.2. Lei nº 14.382/2022 e suas atualizações

Embora publicada em 2022, a Lei nº 14.382, que dispõe sobre o Sistema Eletrônico dos Registros Públicos (SERP), teve seus efeitos ampliados em 2024, com a regulamentação de dispositivos que facilitam a integração entre os cartórios de registro de imóveis e os cadastros municipais. A lei tem impactos diretos na governança fundiária, pois simplifica procedimentos, reduz custos e aumenta a segurança jurídica das transações imobiliárias.

2.3. Provimentos do CNJ e o Programa Solo Seguro

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) manteve ativo o Programa Solo Seguro, que em 2024 ampliou suas ações de regularização fundiária, especialmente na Amazônia Legal. O Provimento CNJ nº 144/2023, que instituiu o programa, segue sendo o principal instrumento do Poder Judiciário para coordenar ações de regularização fundiária urbana e rural, identificar áreas públicas e de proteção ambiental e combater a grilagem.

Em 2024, o CNJ também promoveu a 3ª Semana Nacional de Regularização Fundiária do Programa Solo Seguro, com atendimentos em todo o país, incluindo a emissão de títulos de propriedade e a realização de mutirões de regularização.

2.4. Atualizações no georreferenciamento e no SIGEF

O INCRA, por meio de novas portarias e instruções normativas, atualizou os procedimentos para o georreferenciamento de imóveis rurais no Sistema de Gestão Fundiária (SIGEF). As novas regras estabeleceram prazos mais rigorosos para a certificação de imóveis de pequeno e médio porte, e ampliaram a interoperabilidade do SIGEF com o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o Sistema Nacional de Cadastro Rural (SNCR).

Essas atualizações reforçam a importância dos profissionais habilitados — engenheiros agrimensores, cartógrafos, geógrafos e técnicos em agrimensura — que são os responsáveis pela realização dos levantamentos topográficos, pela elaboração dos memoriais descritivos e pela submissão dos dados aos sistemas competentes.

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Atividades realizadas pelo IGFB em 2024

Em conformidade com seu Estatuto Social (art. 2º), o IGFB desenvolveu ao longo de 2024 uma série de atividades voltadas à capacitação profissional, à produção de conhecimento, à inovação tecnológica e à articulação institucional. Todas as ações foram alinhadas aos princípios do Sistema Confea/Crea e contribuíram para o fortalecimento da governança fundiária no Brasil.

3.1. Cursos e capacitações

Foram ministrados cursos de especialização e aperfeiçoamento em Governança Fundiária, com ênfase em Práticas Integrativas e Complementares, habilitando profissionais de referência para atuar no Cadastro Técnico Multifinalitário (CTM) e na Gestão Territorial.

Quadro 1Cursos e capacitações ministrados em 2024
Curso e público-alvoCarga horáriaParticipantes
Georreferenciamento de Imóveis Rurais — AvançadoEngenheiros agrimensores, cartógrafos e geógrafos40h45
Cadastro Técnico Multifinalitário — Aplicação MunicipalGestores públicos e profissionais técnicos32h38
Regularização Fundiária Urbana (REURB)Profissionais e servidores públicos24h30
Introdução ao Georreferenciamento e Normas ABNTTécnicos e recém-formados16hn/d
Total112h113

O número de participantes do curso de 16h não consta no relatório de atividades de 2024; o total corresponde aos três cursos com registro. Todos os cursos foram oferecidos nas modalidades presencial, na sede do IGFB em São Paulo, e remota.

Os cursos foram oferecidos em formato presencial (na sede do IGFB em São Paulo) e remoto (para participantes de outras regiões), garantindo abrangência nacional. Os conteúdos abordaram desde os fundamentos da topografia e do georreferenciamento até a aplicação das normas técnicas NBR 14166:2022 e NBR 17047:2022, a integração com o SIGEF e a elaboração de memoriais descritivos.

3.2. Eventos e seminários

O IGFB organizou e participou de diversos eventos técnicos e científicos ao longo de 2024:

  • Seminário de Governança Fundiária e Desenvolvimento Social – realizado em agosto de 2024, no Auditório do IGFB, reuniu pesquisadores, representantes de órgãos públicos (INCRA, CNJ, Ministério das Cidades) e da sociedade civil. O seminário debateu a integração entre políticas de habitação, meio ambiente, saneamento básico e mobilidade urbana, promovendo a cooperação entre os diferentes níveis de governo e as iniciativas públicas e privadas.
  • Participação no COBRAC 2024 – o IGFB esteve presente no 16º Congresso Brasileiro de Cadastro Técnico Multifinalitário e Gestão Territorial, realizado em Florianópolis/SC, com a apresentação de três trabalhos técnicos e a participação em painéis sobre o CTM e o georreferenciamento.
  • Mesa de Debates sobre Terras Indígenas e Regularização Fundiária – realizada em novembro de 2024, em parceria com o CNJ e a Procuradoria-Geral da República, o evento reuniu especialistas para discutir os desdobramentos da Lei nº 14.701/2023 e as ações de regularização em andamento.
  • Webinar: A Resolução CONFEA nº 1.144/2024 e seus impactos – evento online realizado em dezembro de 2024, com a participação de representantes do CONFEA e do CREA-SP, para esclarecer dúvidas das entidades de classe sobre a nova resolução.

3.3. Publicações técnicas

O IGFB manteve sua política editorial ativa, lançando novas publicações que contribuem para a difusão do conhecimento técnico-científico na área de governança fundiária:

01Boletim IGFB – Ano 2024 (esta edição);
02Nota Técnica IGFB nº 04/2024 – Atualizações no Georreferenciamento de Imóveis Rurais: Portarias INCRA 2024;
03Nota Técnica IGFB nº 05/2024 – Cadastro Técnico Multifinalitário: Desafios e Oportunidades para os Municípios Brasileiros;
04Nota Técnica IGFB nº 06/2024 – A Resolução CONFEA nº 1.144/2024: Impactos para as Entidades de Classe;
05Manual Prático para Georreferenciamento de Imóveis Rurais – guia técnico para profissionais, com procedimentos passo a passo para levantamento, elaboração de memoriais e submissão ao SIGEF.

Os recursos líquidos obtidos com a venda das publicações foram destinados ao fundo específico, gerido pelo Diretor Presidente e pelo Diretor Financeiro, com o fim exclusivo de financiar novas publicações, conforme determina o § 3º do art. 3º do Estatuto.

3.4. Acordo de Cooperação Técnica com a Visiona Tecnologia Espacial S.A.

Acordo de Cooperação Técnica

Visiona Tecnologia Espacial S.A.

Assinado em 23 de maio de 2024

Firmado com a empresa brasileira de tecnologia espacial, o acordo integra esforços para o desenvolvimento de soluções inteligentes para a governança fundiária. O que o acordo prevê:

  • A utilização de dados coletados pelo nanossatélite VCUB-1 (lançado em 2023), que fornece imagens orbitais de alta resolução;
  • A aplicação de sistemas computacionais para a identificação de oportunidades e a criação de serviços baseados em geoinformação;
  • O compartilhamento de infraestrutura e conhecimento técnico-científico entre as Partes;
  • A realização de Planos de Trabalho específicos para projetos conjuntos.

Essa parceria reforça o compromisso do IGFB com a inovação tecnológica e com a qualificação de profissionais para a gestão territorial, alinhando-se aos objetivos estatutários de promover pesquisas e desenvolvimento de tecnologias alternativas na área de governança fundiária (art. 2º, I). As primeiras atividades conjuntas estão previstas para o primeiro semestre de 2025, com a realização de um piloto de monitoramento territorial na Amazônia Legal.

3.5. Parcerias e convênios

Além do acordo com a Visiona, o IGFB manteve e ampliou suas parcerias institucionais:

  • Convênio com o INCRA para capacitação de servidores em georreferenciamento e regularização fundiária;
  • Acordo com a Associação dos Engenheiros Agrimensores do Estado de São Paulo (AEAESP) para a realização de eventos conjuntos e intercâmbio de conhecimento;
  • Parceria com o Ministério das Cidades para a disseminação das diretrizes do CTM em municípios de pequeno porte;
  • Cooperação com o CREA-SP para a implementação das exigências da Resolução CONFEA nº 1.144/2024.

O Acordo com a Visiona Tecnologia Espacial nos abriu novas fronteiras para o uso de geoinformação na gestão territorial.

Eng. Sales Carvalho · Diretor Presidente do IGFB

3.6. Gestão e finanças

A Diretoria, em conjunto com o Conselho Fiscal, aprovou as contas do exercício de 2024, reafirmando a aplicação integral dos recursos no território nacional, em conformidade com o § 2º do art. 3º do Estatuto.

O Conselho de Administração:

  • Fixou a orientação geral das atividades do IGFB para o biênio 2024-2025;
  • Deliberou sobre a política editorial, aprovando o plano de publicações para 2025;
  • Apreciou e aprovou o relatório de atividades e o balanço financeiro do exercício de 2024.

O exercício social de 2024 foi encerrado em 31 de dezembro, com a reserva financeira (constituída com alíquota de 10% das receitas, nos termos do § 1º do art. 3º) sendo aplicada conforme deliberação da Diretoria.

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Destaque dos associados e profissionais

O IGFB reconhece e valoriza o trabalho de seus associados e dos profissionais que, diariamente, contribuem para a governança fundiária no Brasil. Em 2024, destacamos as seguintes trajetórias:

Eng. Agrimensor João Paulo MartinsSP

Coordenou o projeto de georreferenciamento de mais de 2.000 imóveis rurais no oeste paulista, com excelência técnica e cumprimento rigoroso dos prazos do INCRA. Seu trabalho foi modelo para a região.

Eng.ª Cartógrafa Mariana OliveiraPA

Atuou na regularização fundiária de 15 comunidades ribeirinhas no Baixo Amazonas, utilizando técnicas de georreferenciamento e integrando dados ao CAR e ao SNCR, contribuindo para a titulação de terras de famílias extrativistas.

Geógrafo Ricardo AlmeidaMG

Desenvolveu uma metodologia inovadora para a atualização do Cadastro Técnico Multifinalitário em pequenos municípios, utilizando dados de sensoriamento remoto e softwares livres, apresentada no COBRAC 2024.

Eng. Agrônomo Fernando CostaMT

Contribuiu para a elaboração de laudos técnicos em processos de regularização fundiária na região do Cerrado, auxiliando na solução de conflitos fundiários e na destinação de áreas para conservação ambiental.

Esses profissionais são exemplos do compromisso e da excelência técnica que o IGFB busca incentivar e disseminar em todo o país.

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Panorama da regularização fundiária no Brasil em 2024

Quadro 2Indicadores da regularização fundiária em 2024
Imóveis rurais cadastrados no SIGEF já certificados72%
População brasileira vivendo em áreas urbanas85%
Imóveis urbanos estimados sem regularização30%
Imóveis rurais estimados sem regularização20%

Fontes: SIGEF/INCRA e CNJ (dezembro de 2024).

5.1. Avanços no georreferenciamento

Até dezembro de 2024, o SIGEF/INCRA contava com mais de 5,8 milhões de imóveis rurais cadastrados, dos quais aproximadamente 72% já haviam sido certificados. O ritmo de certificação acelerou-se em 2024, especialmente para imóveis de pequeno e médio porte, que passaram a contar com prazos mais bem definidos e procedimentos simplificados.

O número de profissionais habilitados para realizar georreferenciamento também cresceu, com a expansão dos cursos de formação e a inclusão de novas tecnologias nos currículos.

5.2. A regularização na Amazônia Legal

A Amazônia Legal continuou sendo a região com os maiores desafios fundiários. Em 2024, o Programa Terra Legal regularizou aproximadamente 1,2 milhão de hectares de terras públicas federais, beneficiando milhares de famílias de posseiros. Contudo, a grilagem e o desmatamento ilegal persistiram, exigindo ações coordenadas de fiscalização e inteligência territorial.

O uso de imagens de satélite e sistemas de monitoramento em tempo real, como o DETER e o PRODES, foi intensificado em 2024, com a integração de dados do VCUB-1, em parceria com a Visiona. O IGFB participou ativamente desse esforço, capacitando profissionais para a interpretação de imagens orbitais e para a identificação de sobreposições fundiárias.

5.3. A REURB em números

A regularização fundiária urbana avançou em 2024, com a realização de mutirões em diversos estados. Dados do CNJ indicam que mais de 500 mil famílias foram beneficiadas com a titulação de suas propriedades em todo o país. Os maiores avanços ocorreram em São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Bahia, mas muitos municípios pequenos ainda carecem de estrutura técnica para implementar a REURB.

5.4. Desafios persistentes

Apesar dos avanços, persistem desafios estruturais:

  • Informalidade: estima-se que 30% dos imóveis urbanos e 20% dos rurais ainda não estejam regularizados;
  • Sobreposição de cadastros: conflitos entre os sistemas federal, estadual e municipal geram insegurança jurídica;
  • Grilagem: especialmente na Amazônia, a apropriação indevida de terras públicas continua sendo um problema grave;
  • Capacitação técnica: a demanda por profissionais qualificados supera a oferta, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.
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Perspectivas para 2025

O IGFB planeja dar continuidade à sua programação de cursos e eventos, fortalecer suas parcerias com instituições de ensino e órgãos públicos, e consolidar sua posição como entidade de referência na governança fundiária.

6.1. Adequação à Resolução CONFEA nº 1.144/2024

O IGFB concluirá, no primeiro semestre de 2025, todos os procedimentos de adequação estatutária e documental exigidos pela nova resolução, incluindo a atualização da relação de associados, a comprovação de atividades e a homologação pela assembleia geral.

6.2. Plano de cursos e capacitações

Estão previstos, para 2025:

  • Curso Avançado de Georreferenciamento de Imóveis Rurais e Urbanos (40h);
  • Curso de Cadastro Técnico Multifinalitário com ênfase em interoperabilidade (32h);
  • Oficina de Regularização Fundiária Urbana (REURB) para municípios de pequeno porte (24h);
  • Formação em Interpretação de Imagens Orbitais para Monitoramento Territorial (16h);
  • Seminário Internacional de Governança Fundiária, com a participação de especialistas da América Latina.

6.3. Novas publicações

O IGFB lançará, em 2025:

  • Boletim IGFB – Ano 2025;
  • Nota Técnica sobre o uso de dados de satélite na gestão fundiária;
  • Manual de Boas Práticas para a Implantação do CTM em Municípios;
  • Coletânea de artigos sobre regularização fundiária na Amazônia Legal.

6.4. Projetos de pesquisa

Em parceria com a Visiona e outras instituições, o IGFB iniciará projetos-piloto de monitoramento territorial na Amazônia Legal e no Cerrado, utilizando imagens orbitais e inteligência artificial para identificar áreas críticas e apoiar a tomada de decisão.

6.5. Eleições e renovação

Conforme previsto no Capítulo V do Estatuto, o IGFB realizará, em 2025, as eleições para a renovação dos membros do Conselho de Administração, da Diretoria e do Conselho Fiscal. O processo eleitoral será conduzido com transparência e participação de todos os associados.

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Considerações finais

O ano de 2024 foi de consolidação, inovação e adaptação para o IGFB. Cumprimos com êxito nosso papel de promover a governança fundiária no Brasil, por meio da capacitação profissional, da produção de conhecimento, da articulação institucional e da adoção de tecnologias de ponta.

A Resolução CONFEA nº 1.144/2024 nos desafiou a revisitar nossos processos e a garantir que nossa atuação esteja alinhada aos mais elevados padrões normativos. O Acordo com a Visiona Tecnologia Espacial nos abriu novas fronteiras para o uso de geoinformação na gestão territorial. E a realização de cursos, seminários e publicações manteve nossa missão de qualificar profissionais e disseminar conhecimento.

Os desafios, no entanto, persistem. A grilagem, a informalidade, a sobreposição de cadastros e a necessidade de integração entre sistemas continuam sendo obstáculos que exigem ação coordenada de todos os atores envolvidos na governança fundiária. O IGFB está preparado para enfrentar esses desafios, contando com o apoio de seus associados, parceiros e da sociedade em geral.

Em 2025, seguiremos firmes em nossa missão de construir pontes para uma governança fundiária mais justa e sustentável, em consonância com os princípios do Sistema Confea/Crea e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU.

Convidamos nossos associados, parceiros e a sociedade em geral a se juntarem a nós nessa caminhada.

Eng. Sales CarvalhoDiretor Presidente do IGFB
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Entidade de classe registrada no Sistema Confea/Crea
IGFB CREA-SP — Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de São Paulo CONFEA — Conselho Federal de Engenharia e Agronomia Mútua — Caixa de Assistência dos Profissionais do Crea